Messi faz último jogo pela Argentina em 'festa de agradecimento'
Os argentinos vão se despedir de Lionel Messi com uma "festa de agradecimento" apoteótica nesta terça-feira (6), em Buenos Aires, onde o histórico capitão fará seu último jogo pela seleção que defendeu por mais de duas décadas.
Messi jogará pela última vez com a camisa da 'Albiceleste' no estádio Monumental, com capacidade para cerca de 85 mil pessoas. Os ingressos para o amistoso contra o Benin se esgotaram em menos de duas horas.
A partida contra a seleção que ocupa a 89ª posição no ranking da Fifa e nunca disputou uma Copa do Mundo está marcada para as 20h (horário de Brasília). O evento reunirá vários nomes que acompanharam o craque de 39 anos em sua trajetória na seleção.
Será uma "festa de agradecimento", disse à AFP o escritor Ezequiel Fernández Moores. "O adversário é o que menos importa, tudo isso será uma festa para agradecer a Messi".
Antes do jogo, a Universidade de Buenos Aires homenageou o astro com seu título honorífico máximo, o doutorado Honoris Causa, nas instalações da Associação do Futebol Argentino (AFA).
"É um orgulho receber isso", declarou Messi, que já disse diversas vezes que se arrependeu de não ter podido estudar. Aos risos, ele acrescentou: "Posso dizer que sou médico honorário".
Nos arredores da sede da AFA, torcedores estenderam uma enorme bandeira argentina com a imagem de Messi e a frase "a alegria da minha vida". Os torcedores aguardavam para vê-lo partir rumo ao estádio.
- Um dia inesquecível -
Após 21 anos, 207 jogos e 125 gols, marcas que ninguém mais alcançou na seleção, o astro encerrará um ciclo que começou em agosto de 2005.
"É um dia muito especial para mim, sei que vai ser difícil. Vou tentar desfrutar, estou tranquilo, mas à medida que o momento do jogo se aproxima, vai ficando mais complicado", disse Messi.
Um ex-combatente da Guerra das Malvinas, Fabio Santana, foi convocado para cantar o hino argentino.
A escolha não é por acaso: a Argentina disputa a soberania das ilhas com a Inglaterra. Após a vitória por 2 a 1 na semifinal da Copa do Mundo de 2026 contra os ingleses, alguns jogadores estenderam uma bandeira reivindicando essa causa tão identitária para os argentinos.
Em campo, embora não necessariamente jogando, participarão da homenagem campeões mundiais do Catar 2022, entre eles Ángel Di María, já aposentado da 'Albiceleste'.
Messi vestirá uma camisa comemorativa que traz uma faixa branca no centro e os raios de sol da bandeira nacional.
"Vai ser um dia inesquecível para todos", disse no sábado o técnico Lionel Scaloni.
A cidade de Buenos Aires iluminará seus principais monumentos de azul-celeste, entre eles o emblemático Obelisco.
- Passagem de bastão -
O amistoso contra o Benin também marcará a despedida do veterano zagueiro Nicolás Otamendi, enquanto a geração liderada por Cristian Romero, Enzo Fernández, Julián Álvarez e Lautaro Martínez assumirá o bastão.
O adeus chega num momento em que Messi está no auge de sua popularidade, longe dos tempos em que parte do público argentino criticava seu desempenho e o comparava a Diego Maradona.
"Como considero que Messi deu tudo, absolutamente tudo, não sinto nada com a sua saída. Ele merece muito, que aproveite, que descanse", disse à AFP Cecilia Adriano, uma torcedora de 52 anos.
Para Fernández Moores, a persistência é uma das chaves da relação que Messi construiu com seus compatriotas.
"Quando te dizem que tudo é breve, tudo é efêmero, que as coisas não duram nem cinco minutos, aí está o exemplo na contramão de Messi, dizendo que é preciso persistir, que nem tudo se resume a cinco minutos", afirmou.
- 20 anos no topo -
O afastamento durou dois meses, para a sorte dos argentinos, que depois desfrutaram daquela que é considerada a melhor seleção albiceleste de todos os tempos.
Ganhou duas Copas América (2021 e 2024), a Finalíssima e a Copa do Mundo em 2022, a primeira da Argentina desde a conquista de Maradona em 1986.
No final de agosto, Messi anunciou sua aposentadoriada da seleção, pouco depois do falecimento de seu pai, Jorge, que também era seu empresário.
O craque argentino tem contrato com o Inter Miami até 2028, embora, após o falecimento de seu pai, tenha revelado que pode pendurar as chuteiras antes do previsto.
"Messi esteve quase 20 anos no pódio do futebol mundial. E quem faz isso? Quem consegue isso nos dias de hoje? Isso é o mais notável", afirmou Fernández Moores.
G.Seong--SG