Coesão nacional depende de políticas públicas e compromisso coletivo
O PR, António José Seguro, convocou os partidos com assento parlamentar e o Conselho de Estado, para com ele se pronunciarem sobre a coesão nacional. As manifestações contra a crise habitacional e não só, sobretudo dos jovens, tiveram a grande virtude de acordar o país da letargia em que vive há décadas.
O PR, António José Seguro, convocou os partidos com assento parlamentar e o Conselho de Estado, para com ele se pronunciarem sobre a coesão nacional. As manifestações contra a crise habitacional e não só, sobretudo dos jovens, tiveram a grande virtude de acordar o país da letargia em que vive há décadas. Pelo menos depois de anos de saudável agitação e mudanças após 25 de Abril. E agora, muitos dos agentes políticos dos partidos responsáveis pelo estado a que isto chegou, parecem baratas tontas, culpando-se uns aos outros, e tentando, evidentemente, em vão, serenar os ânimos e manter a paz podre e as injustiças que a grave ausência de coesão nacional provoca.
Seguro, começou logo pelo mais importante. A coesão nacional é efetivamente um bem maior a que qualquer país e sociedade decentes, devem aspirar. Portanto, começou pelo topo, depois do seu partido e dos outros dois mais antigos e intervenientes, PSD e CDS, terem mandado às urtigas a coesão nacional, em benefício de uma minoria nacional e estrangeira. Entre tantos, um exemplo do que acabámos de dizer: o Alentejo, ⅓ do território nacional, a maior região nacional de produção de cortiça e cereais, onde se situa o maior lago artificial da Europa, a Barragem do Alqueva, o complexo industrial de Sines e o aeroporto de Beja, é a região do país com maior índice de pobreza (agora parece que a par com os Açores). Com comboios praticamente só os que circulam entre Lisboa e o Algarve.
Querem um exemplo melhor do que não é a coesão nacional? Mas os exemplos, como toda a gente sabe, são mais que muitos. Outros igualmente de importância vital contra a coesão nacional, foram as privatizações das maiores e melhores empresas que os governos dos partidos das “baratas tontas” fizeram. Mas voltemos ao caso do Alentejo. Toda a gente sabe qual a força política logo a seguir ao 25 de Abril e diversos anos depois largamente maioritária. Até a incessante campanha anti-comunista dar os seus frutos. Mas não foi o PCP/CDU responsável pelo seu estado de abandono e não aproveitamento das suas potencialidades e favorecimento a estrangeiros das mesmas sobretudo na compra de herdades e no uso da água do Alqueva.
Muito antes pelo contrário! São conhecidas as propostas do PCP, sobre o Alentejo, sobre o país de uma maneira geral, sobre os crimes de lesa Pátria que constituem a maior parte das privatizações e, em grande parte consequência disso, da falta de investimento pelo Estado, no Ensino, na Saúde, nos salários da Função Pública e nas pensões de reforma.
Porquanto, a coesão nacional faz-se com quem quer fazê-la e para isso vamos sempre cair na mesma. Na mesma onde ultimamente aqui tenho insistido. Talvez me torne um pouco chato para os leitores, mas é a questão essencial para termos um País bem mais justo e coeso. E não é com esta gente. É preciso, é absolutamente imprescindível que se eleja outra. E isso é tarefa para os prezados leitores de O SETUBALENSE, para milhões de portugueses, para o povo.
W.Nam--SG