Emocionante homenagem na Suíça às vítimas do incêndio de Ano-Novo
Velas, flores, aplausos para os socorristas e uma multidão que canta "Hallelujah", de Leonard Cohen. Neste domingo (4), foi prestada em Crans-Montana uma emocionante homenagem às vítimas do incêndio de um bar, ocorrido durante as celebrações de Ano-Novo, na estação alpina suíça.
O fogo, que destruiu o bar Le Constellation, deixou 40 mortos e 119 feridos, principalmente jovens. Segundo as investigações, o incêndio teve origem em sinalizadores colocados em garrafas de champanhe.
Além dos sinalizadores, os investigadores tentam determinar se a espuma que revestia o teto do porão do bar, como forma de isolamento acústico, influenciou na rápida propagação das chamas.
Neste domingo, apesar das temperaturas em torno de -9 °C, centenas de pessoas participaram de uma missa na capela de São Cristóvão, em Crans. Em seguida, a multidão seguiu em silêncio até a capela ardente, perto do local da tragédia, repleta de flores e velas.
"Viemos como demonstração de solidariedade", disse à AFP Gina, moradora de um vilarejo vizinho.
Várias pessoas, com ramos de flores, enxugavam as lágrimas. Uma onda de aplausos surgiu da parte de trás do cortejo e a multidão se abriu para a passagem dos socorristas, muitos deles visivelmente abalados.
Em seguida, entoaram a canção "Hallelujah".
"Ao ouvir os cantos, a gente fica tomada pela emoção, é impossível permanecer indiferente", confidenciou à AFP Beverley, uma britânica de 58 anos.
"Deve ser tão difícil para as famílias que ainda esperam saber se seus entes queridos sobreviveram", acrescentou.
- Os 40 mortos identificados -
Após vários dias de espera, as autoridades anunciaram na noite deste domingo que as 40 vítimas fatais puderam ser identificadas. Entre elas estão 20 menores de idade e 18 estrangeiros, detalhou a polícia.
"Nosso Arthur foi celebrar no paraíso", escreveu em sua conta no Facebook Laetitia Brodard Sitre, mãe de um dos mortos, que passou vários dias procurando o filho de 16 anos e fez inúmeros apelos nas redes sociais.
"Agora podemos começar nosso luto sabendo que ele está em paz", acrescentou a mulher.
Entre os mais de cem feridos, 35 com queimaduras graves foram transferidos para hospitais da França, Bélgica, Alemanha e Itália.
As autoridades judiciais abriram uma investigação criminal contra os dois gerentes do estabelecimento, um casal de franceses, por "homicídio culposo, lesões corporais culposas e incêndio causado por negligência".
A investigação se concentrará nas obras realizadas no porão do bar em 2015, nos materiais utilizados, nas autorizações de funcionamento e nas medidas de segurança.
- Mensagem do papa -
Os vídeos da tragédia publicados nas redes sociais mostram jovens tentando desesperadamente sair do bar envolto em chamas.
Testemunhas relataram que o fogo se espalhou com uma rapidez inesperada, deixando dezenas de pessoas presas.
Para Patricia Mazzoni, uma suíça de 55 anos que estava de férias em Crans-Montana, reina a incompreensão. "Como é possível que isso aconteça? Ainda mais na Suíça... jamais teria imaginado algo assim."
"Sinto uma raiva imensa", disse à AFP.
Na Praça de São Pedro, no Vaticano, o papa Leão XIV expressou neste domingo sua "proximidade com todas as pessoas em luto após a tragédia ocorrida em Crans-Montana".
Após a oração do Ângelus, afirmou que reza "pelos falecidos, pelos feridos e por seus entes queridos".
Muitos turistas decidiram permanecer na estação alpina apesar do clima de luto.
A localidade, profundamente abalada, reduziu ao mínimo as celebrações: shows foram cancelados e a música nos bares foi silenciada, embora os estabelecimentos sigam abertos para oferecer espaços de encontro.
Novas homenagens estão previstas para 9 de janeiro, declarado dia de luto nacional.
J.Lim--SG