'Chega!', diz primeiro-ministro da Groenlândia após nova ameaça de anexação de Trump
"Chega!", declarou o primeiro-ministro da Groenlândia, Jens Frederik Nielssen, nesta segunda-feira (5) à mais recente ameaça de anexação feita pelo presidente americano, Donald Trump, que insiste que a ilha ártica deve fazer parte dos Estados Unidos.
A intervenção militar dos EUA na Venezuela, que evidenciou o interesse de Trump nas vastas reservas de petróleo do país, reacendeu os temores em relação à Groenlândia devido à sua localização estratégica e aos seus significativos recursos minerais ainda inexplorados.
O presidente americano afirmou que os Estados Unidos agora governam a Venezuela e irão explorar suas enormes reservas de petróleo.
Trump insistiu na anexação da Groenlândia no domingo, apesar dos apelos das autoridades da ilha e de Copenhague para que Washington respeite sua integridade territorial.
A Groenlândia é um território autônomo dinamarquês com abundantes recursos naturais.
"Precisamos da Groenlândia para garantir a segurança nacional e a Dinamarca não é capaz de fazer isso", disse Trump a repórteres a bordo do Air Force One quando questionado sobre o assunto.
"Vamos nos preocupar com a Groenlândia daqui a uns dois meses (…). Vamos falar sobre a Groenlândia daqui a 20 dias", acrescentou o presidente, ao que o primeiro-ministro da Groenlândia respondeu: "Chega!".
"Chega de pressão. Chega de insinuações. Chega de fantasias de anexação. Estamos abertos ao diálogo. Estamos abertos a discussões. Mas isso deve ser feito pelos canais adequados e com respeito ao direito internacional”, escreveu Nielssen no Facebook.
Trump abalou os líderes europeus ao atacar Caracas e capturar o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, que agora está detido em Nova York acusado de tráfico de drogas.
Na França, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Pascal Confavreux, expressou sua solidariedade à Dinamarca, declarando à emissora TF1 nesta segunda-feira que "as fronteiras não podem ser alteradas pela força".
O presidente finlandês, Alexander Stubb, acrescentou na rede X que "ninguém decide por Groenlândia e Dinamarca, exceto Groenlândia e Dinamarca", enquanto seus homólogos da Suécia e da Noruega emitiram mensagens de apoio semelhantes.
- "Desrespeitosa" -
Por outro lado, o Ministério das Relações Exteriores da China instou, nesta segunda-feira, os Estados Unidos a "pararem de usar a 'ameaça chinesa' como desculpa para buscar benefícios pessoais".
No mês passado, Trump afirmou que navios russos e chineses estavam "por toda parte" na costa da Groenlândia.
Em uma publicação no X no sábado, Katie Miller, esposa do diretor de gabinete adjunto da Casa Branca, Stephen Miller, reacendeu os temores de anexação ao publicar um mapa da Groenlândia com as cores da bandeira americana acompanhado da palavra "SOON" ("Em breve", em tradução livre).
Miller foi anteriormente assessora e porta-voz da Comissão para a Eficiência Governamental (DOGE), então chefiada por Elon Musk, e agora trabalha para o bilionário no setor privado.
A primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, classificou a publicação de Miller como "desrespeitosa" e escreveu no X que "nosso país não está à venda e nosso futuro não é decidido por publicações em redes sociais".
Frederiksen havia pedido a Washington, no fim de semana, que parasse de ameaçar seu "aliado histórico", um território e um povo "que deixaram claro que não estão à venda".
A primeira-ministra dinamarquesa também lembrou a todos que a Dinamarca, que inclui as Ilhas Faroé e a Groenlândia, "é membro da Otan, portanto goza da garantia de segurança da aliança".
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X.Ahn--SG