Trump anuncia resgate de segundo piloto acidentado no Irã
O presidente Donald Trump anunciou, neste domingo (5), que as forças americanas resgataram "são e salvo" o segundo piloto do caça derrubado no Irã, em uma operação classificada como uma das "mais ousadas da história" de seu país.
A guerra, que entrou em seu segundo mês, desferiu um duro golpe na economia mundial, com os ataques de represália iranianos contra aliados dos Estados Unidos no Golfo e o fechamento do Estreito de Ormuz, por onde passa 20% do petróleo mundial.
Neste domingo, o mandatário republicano afirmou que o segundo piloto americano cujo avião caiu no Irã havia sido resgatado. "Ele sofreu ferimentos, mas ficará bem", assegurou.
A aeronave, um caça‑bombardeiro F‑15E, caiu no sudoeste do Irã na sexta‑feira e seus dois ocupantes se ejetaram em pleno voo.
O exército iraniano afirmou ter derrubado o avião, e as autoridades haviam prometido uma recompensa pela captura do segundo ocupante. O primeiro havia sido resgatado pouco depois, durante uma operação das forças especiais americanas.
"PEGAMOS ELE! Meus compatriotas americanos, nas últimas horas, as Forças Armadas dos Estados Unidos realizaram uma das Operações de Busca e Resgate mais ousadas da história do nosso país, para um dos nossos incríveis oficiais de tripulação, que, além disso, é um coronel muito respeitado", escreveu Trump em sua plataforma, Truth Social.
"Tenho enorme satisfação em informar que ele agora está SÃO E SALVO", acrescentou.
A mídia iraniana informou que cinco membros da Guarda Revolucionária, o exército ideológico da República Islâmica, morreram neste domingo em ataques dos Estados Unidos e de Israel no noroeste do país.
Após o anúncio de Trump, o exército iraniano afirmou, em contrapartida, que a operação dos EUA para resgatar o piloto "fracassou por completo".
"A suposta operação de resgate do exército dos Estados Unidos, sob o pretexto de recuperar o piloto de um avião derrubado, foi completamente frustrada", declarou Ebrahim Zolfaghari, porta-voz do comando central militar iraniano.
Em uma mensagem em vídeo divulgada pela televisão estatal, afirmou que "dois aviões de transporte militar C‑130 e dois helicópteros Black Hawk foram destruídos" durante a operação.
Acrescentou, ainda, que Trump continua com sua "retórica vazia e distração, embora a realidade em campo demonstre a posição superior das poderosas Forças Armadas do Irã".
Os meios de comunicação estatais divulgaram imagens de destroços carbonizados espalhados por uma área desértica, de onde ainda saía fumaça.
- Ataques no Golfo -
Enquanto isso, o conflito, que estourou em 28 de fevereiro com os bombardeios de EUA e Israel contra o Irã, continua se propagando pelo Oriente Médio.
As autoridades dos Emirados Árabes Unidos relataram um incêndio em uma instalação petroquímica, após a interceptação de disparos iranianos.
No Bahrein, um ataque com drone iraniano provocou o incêndio de um depósito da companhia petrolífera estatal.
O Kuwait anunciou danos em usinas de eletricidade e de dessalinização de água, assim como em um complexo ministerial na capital.
O exército iraniano afirmou ter atacado alvos militares no Kuwait, bem como a indústria de alumínio nos Emirados, que acusam de servir para produzir peças destinadas a aviões, mísseis e veículos blindados americanos.
Alertas também foram acionados neste domingo em Israel, onde o exército informou que enfrentava um novo lançamento de mísseis iranianos.
Na frente libanesa, o movimento pró-Irã Hezbollah anunciou ter lançado um míssil de cruzeiro contra um navio de guerra israelense que navegava na costa do Líbano, pela primeira vez desde o início da guerra com Israel há mais de um mês. O exército israelense afirmou "não ter conhecimento" de tal incidente.
Por sua vez, Israel continua sua ofensiva no Líbano, onde seus bombardeios e combates deixaram mais de 1.400 mortos desde o início de março.
O presidente libanês, Michel Aoun, voltou a pedir negociações diretas com Israel para impedir que o sul do país se transforme em uma nova Gaza, devastada pela guerra.
A capital iraniana, por sua vez, continuava sendo bombardeada. Um jornalista da AFP viu uma espessa camada de fumaça cinza cobrindo o céu da cidade.
- Ultimato -
No sábado, Donald Trump deu ao Irã um ultimato de 48 horas para alcançar um acordo que permita desbloquear o estratégico Estreito de Ormuz, ou, caso contrário, desencadearia o "inferno" sobre a República Islâmica.
O Irã mantém um rígido controle sobre esta via crucial para o trânsito naval de petróleo e gás do Golfo.
"O tempo está acabando: 48 horas antes que todo o inferno desate sobre eles", disse o mandatário americano.
Um alto responsável militar iraniano, o general Ali Abdollahi Aliabadi, qualificou o ultimato como "uma ação impotente, nervosa, desequilibrada e estúpida". "Serão abertas para eles as portas do inferno", acrescentou.
O ministro iraniano das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, manteve conversas telefônicas na noite de sábado com seus homólogos paquistanês e egípcio, cujos países estão realizando esforços diplomáticos para encontrar uma saída para o conflito, informou a agência Tasnim.
Neste domingo, o Irã executou dois homens considerados culpados de terem atuado em nome de Israel e dos EUA durante a onda de manifestações antigovernamentais do início do ano, anunciou o poder Judiciário.
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L.Jeong--SG