Petróleo dispara por medo de crise energética global após Irã atacar instalações-chave
O preço do petróleo disparou, nesta quinta-feira (19), depois que o Irã atacou a maior instalação de gás natural liquefeito do Catar e refinarias na Arábia Saudita e no Kuwait, o que aumenta os temores de que a guerra provoque uma crise energética global.
O conflito, iniciado em 28 de fevereiro com os bombardeios dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, está ganhando novos contornos com ataques diretos a pontos de produção de combustíveis e não mais apenas a instalações de armazenamento e transporte.
A reviravolta das últimas horas se deu com o ataque israelense na véspera contra a gigantesca jazida de gás de South Pars-North Dome, compartilhada por Irã e Catar, que é a maior reserva de gás conhecida do mundo.
O Pentágono afirmou, nesta quinta-feira, que não há "um prazo definitivo" para pôr fim à guerra e caberá ao presidente americano, Donald Trump, decidir quando deter a operação.
O mandatário declarou que não vai enviar tropas ao Irã, mas os Estados Unidos aprovaram mais de 16 bilhões de dólares (R$ 84 bilhões, na cotação atual) em vendas de armas aos países do Golfo por causa da guerra.
Em represália ao ataque, o Irã alvejou na quarta-feira Ras Lafan, no Catar, o maior complexo industrial e porto de exportação de gás natural liquefeito (GNL) do mundo, e voltou a fazê-lo nesta quinta-feira.
Estes ataques trazem o risco de um envolvimento direto dos países do Golfo atacados pelo Irã desde o início do conflito por terem bases americanas, e fizeram os preços do petróleo dispararem.
Durante a operação, o barril de Brent do Mar do Norte saltou para 114,64 dólares e o West Texas Intermediate (WTI) passou brevemente dos 100 dólares.
A Arábia Saudita assegurou que "se reserva o direito" de responder militarmente ao Irã, que ataca regularmente seu território com drones e mísseis, enquanto o Catar afirmou que o bombardeio contra sua infraestrutura "prova" que a república islâmica não ataca apenas interesses dos Estados Unidos.
O Catar é o segundo exportador mundial de GNL e o Ministério das Relações Exteriores lamentou que os ataques na região "tenham cruzado todas as linhas vermelhas ao terem como alvo civis, assim como instalações civis e vitais".
- "Não é nossa guerra" -
As represálias iranianas não se limitaram ao Catar.
Um drone atingiu a refinaria saudita de Samref, situada em Yanbu, às margens do Mar Vermelho, com capacidade de processar mais de 400.000 barris diários de petróleo bruto, segundo o Ministério da Defesa.
Mais ao norte, no Kuwait, as duas refinarias da petroleira estatal, de Mina Abdullah e de Mina Al Ahmadi, também foram atingidas por drones nesta quinta-feira, provocando incêndios. As duas têm uma capacidade combinada de 800.000 barris.
Em quase três semanas, os conflitos deixaram mais de 2.200 mortos, de acordo com as autoridades, sobretudo no Irã e no Líbano, o segundo front da guerra, onde Israel e o movimento pró-iraniano Hezbollah se enfrentam. Neste país, as autoridades reportaram mais de 1.000 mortos desde 2 de março.
No território palestino da Cisjordânia, onde, diferentemente de Israel, a população não tem abrigos antiaéreos, quatro mulheres morreram na queda dos destroços de um míssil iraniano.
"Caiu sem aviso prévio. Não houve nenhum alerta", disse à AFP Isa Masalmeh, de 60 anos. "As mulheres que morreram ficaram com os corpos destroçados", acrescentou.
Abdelrazek Masalmeh, um pesquisador de 32 anos, ficou abalado com o ocorrido.
"Somos as vítimas. Não é nossa guerra", afirmou.
- Irã adverte que não vai exercer nenhuma "moderação" -
Se o Irã atacar, então os Estados Unidos, "com ou sem a ajuda ou o consentimento de Israel, explodirão maciçamente a totalidade da jazida de gás de South Pars", escreveu o presidente.
O chanceler iraniano, Abbas Araghchi, advertiu que Teerã não vai exercer nenhuma "moderação" na hipótese de novos ataques contra sua infraestrutura energética.
O bloqueio, por parte do Irã, do estratégico Estreito de Ormuz, por onde passavam 20% das exportações de petróleo e gás antes da guerra, permanece no centro das atenções.
Alemanha, Reino Unido, França, Itália, Japão e Países Baixos se declararam "dispostos a contribuir" para garantir a segurança nesta passagem marítima crucial.
A Organização Marítima Internacional (OMI), uma agência da ONU, instou a criação de um "corredor seguro" de navegação no Golfo para evacuar embarcações bloqueadas, após uma reunião de emergência em Londres.
A OMC prevê uma forte desaceleração do comércio mundial de mercadorias este ano, com um crescimento limitado a 1,4%, se os preços da energia se mantiverem elevados pela guerra no Oriente Médio.
O Banco Central Europeu advertiu que esta alta pode ter "um impacto significativo na inflação" e reduziu as previsões de crescimento para os países da zona do euro a 0,9% para 2026 frente ao prognóstico de 1,2%, estimado em dezembro.
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K.Im--SG