Raio-X da Seleção Brasileira na Copa: como encaixar Neymar?
A Seleção Brasileira inicia nesta semana sua preparação para a Copa do Mundo de 2026 com uma pergunta pairando no ar: como encaixar Neymar?
Liderado por Vinícius Júnior e Raphinha, e com Neymar como reforço de última hora, o Brasil quer voltar a vencer o Mundial depois de 24 anos e conquistar o sonhado hexa.
"Não sou um mago", disse o técnico da Seleção, o italiano Carlo Ancelotti, antes de lançar uma mensagem de confiança aos torcedores: "Este time pode competir com os melhores do mundo".
Ancelotti assumiu o cargo há quase um ano, depois dos maus resultados da equipe nas Eliminatórias Sul-Americanas e das demissões de Fernando Diniz e Dorival Júnior.
A Seleção vai se concentrar a partir desta quarta-feira (27) na Granja Comary, em Teresópolis, no Rio de Janeiro. No domingo, fará um amistoso contra o Panamá no Maracanã, antes de viajar aos Estados Unidos para disputar a Copa do Mundo, que começa no dia 11 de junho.
"O Brasil não parte no primeiro escalão de favoritos, mas sempre é considerado um candidato, tem jogadores de ponta nas principais ligas do mundo", disse à AFP o jornalista Leonardo Bertozzi, comentarista da ESPN.
Abaixo, o papel de Neymar e outros fatores da Seleção no Grupo C do Mundial, que também conta com Marrocos, Haiti e Escócia.
- O papel de Neymar -
Maior artilheiro da história da Seleção, com 79 gols, Neymar, que não era convocado desde 2023, vai disputar sua quarta Copa do Mundo aos 34 anos.
As lesões dos últimos anos dificultam sua atuação pelas pontas, e Ancelotti esclareceu que o vê como "um atacante centralizado".
Ele será titular ou reserva? Por enquanto, o técnico esconde o jogo: "Escolhemos o Neymar porque pensamos que ele pode dar qualidade à equipe, que jogue um minuto, que jogue cinco minutos, que não jogue ou que jogue 90 minutos".
Um edema na panturrilha direita, no entanto, coloca sua participação no amistoso de domingo em dúvida.
A convocação de Neymar gerou comemorações que viralizaram nas redes sociais, mas também atraiu críticas, grande parte delas focada na ausência do atacante João Pedro, do Chelsea.
Em sua coluna no portal UOL, Mauro Cezar Pereira considerou a decisão de Ancelotti "decepcionante", pois o treinador "se submeteu" a "um circo armado pela CBF para convocar o Neymar e fazer toda esse 'oba-oba' com o merchandising", escreveu.
- Variáveis ofensivas -
Vini Jr. e Raphinha, estrelas de Real Madrid e Barcelona, respectivamente, são as principais peças de um grande leque de atacantes de lado, com Luiz Henrique, Gabriel Martinelli e Rayan como alternativas valiosas. Opções não faltam, apesar das lesões de Rodrygo e Estêvão.
Um fator importante no Brasil de Ancelotti tem sido a versatilidade de Matheus Cunha como atacante, com sua capacidade de recuar e praticamente se tornar um meio-campista.
Igor Thiago, jogador de pura força física e um dos artilheiros do Campeonato Inglês nesta temporada, entrou como opção, assim como o jovem Endrick.
- Casemiro, o pilar -
O volante Casemiro é o pilar do meio-campo, a peça que dá equilíbrio à equipe em meio ao grande número de atacantes. Seu parceiro ideal tem sido Bruno Guimarães.
Mas existe um problema: força demais e criatividade de menos.
Lucas Paquetá é o cérebro à disposição do italiano.
- Experiência no gol -
Alisson é um goleiro de elite, mas vem sofrendo com as lesões nos últimos meses no Liverpool.
"Ele terá tempo para estar 100%", considerou Ancelotti, que também convocou Ederson e uma das grandes surpresas da lista: o veterano Weverton.
- Testes na defesa -
Marquinhos e Gabriel Magalhães despontam como os zagueiros titulares na Copa do Mundo, mas não vão participar do amistoso contra o Panamá, pois estão com o Paris Saint-Germain e o Arsenal na final da Liga dos Campeões, no próximo sábado, em Budapeste.
Será o momento de testar jogadores como Bremer, Ibáñez, Danilo e Léo Pereira.
Por outro lado, não há nada definido nas laterais, com Wesley como opção na direita e Alex Sandro e Douglas Santos na esquerda. A lesão de Éder Militão, o zagueiro que Ancelotti utilizava na lateral-direita, foi um grande revés.
- Promessas? -
Ancelotti reconheceu que decidiu "priorizar" a experiência.
No entanto, Endrick, aos 19 anos, conseguiu entrar na lista depois de renascer durante seu período de empréstimo no Lyon, aproveitando com gols as oportunidades que não tinha no Real Madrid.
G.Cho--SG