Emissário de Trump promete seguir com ações anti-imigração em Minneapolis
O "czar fronteiriço" do presidente americano, Donald Trump, disse, nesta quinta-feira (29), que a ofensiva federal em Minneapolis contra a imigração vai prosseguir, embora tenha afirmado que a missão precisa melhorar e prometido punir agentes que não respeitem as normas.
Minneapolis, no norte dos Estados Unidos, é sacudida há semanas por protestos contra a detenção de imigrantes sem documentos, nos quais dois americanos morreram nas mãos de agentes federais.
O enviado presidencial Tom Homan se comprometeu a "restabelecer a lei e a ordem".
"Vamos garantir a realização de operações de controle direcionadas e repito: não desistimos de forma alguma de nossa missão. Vamos apenas executá-la de maneira mais inteligente", declarou, e ressaltou que "a segurança da população é primordial".
Ele acrescentou que Trump, ele e outros membros do governo reconheceram que "certas melhorias poderiam e deveriam ser feitas" e assegurou que agentes que não se comportarem de forma profissional serão punidos.
"Temos protocolos de conduta", afirmou.
- Redução de efetivos -
Alex Pretti, um enfermeiro de 37 anos, morreu no sábado (24) em um confronto com integrantes da Patrulha de Fronteira (CBP), enquanto Renee Good, da mesma idade e mãe de três filhos, morreu em 7 de janeiro baleada em seu carro por um agente do serviço de imigração (ICE).
Os dois agentes envolvidos na morte de Pretti já foram suspensos em um procedimento "padrão", disse à AFP um porta-voz da CBP.
Trump não demonstra nenhuma disposição de encerrar, nem mesmo de moderar de fato, sua política de expulsões em massa.
Seu enviado prometeu manter o "diálogo" com autoridades locais, mas justificou a política do governo republicano ao afirmar que o país tem agora "a fronteira mais segura" de sua história.
Após ter deslocado 3.000 policiais encarregados do combate à imigração ilegal em Minneapolis, a administração Trump vai "reduzir em breve" o efetivo, prometeu Homan, sem dar mais detalhes.
Trump disse que queria "reduzir um pouco a tensão" na cidade, mas na quarta-feira (28) retomou a retórica incendiária contra o prefeito democrata Jacob Frey, que havia declarado que "não aplica nem aplicará as leis federais de imigração".
Frey respondeu afirmando que o trabalho da polícia local não é fazer cumprir as leis federais de imigração.
"Quero que evitem homicídios, não que cacem um pai trabalhador", acrescentou, em referência ao caso de Liam Conejo Ramos, de cinco anos, e de seu pai, Adrián Conejo Arias, solicitantes de asilo do Equador mantidos em um centro no Texas após serem detidos por agentes federais em Minneapolis em 20 de janeiro.
- "Nada diferente" -
A batalha política pode chegar ao Congresso em Washington, onde democratas ameaçam bloquear dotações orçamentárias caso não sejam feitas reformas para frear operações de estilo militar das agências de imigração.
Um juiz federal do estado de Minnesota bloqueou temporariamente a detenção de refugiados que ainda não têm status de residentes permanentes, mas vivem legalmente no estado.
E, em um caso separado, outro magistrado federal considerou que o ICE "provavelmente violou mais ordens judiciais em janeiro de 2026 do que algumas agências federais violaram em toda a sua existência".
Confrontos entre manifestantes e agentes federais de imigração deslocados para cidades governadas por democratas se tornam cada vez mais frequentes.
Em Minneapolis, o medo das operações mobiliza moradores que patrulham as ruas para identificar efetivos federais.
"A administração Trump diz que vai mudar de tática... Mas não estamos vendo nada diferente, as pessoas continuam sendo arrancadas das ruas", disse à AFP Jennifer Arnold, de 39 anos, à frente de uma rede de apoio que leva filhos de imigrantes para a escola.
Vídeos analisados pela AFP e por outros veículos desacreditaram a tese inicialmente defendida pelo governo Trump, segundo a qual Alex Pretti, que portava uma arma legalmente, ameaçava as forças da ordem.
Em um novo vídeo divulgado por várias emissoras americanas e cuja autenticidade a AFP não conseguiu verificar de imediato, Pretti aparece em um confronto violento com agentes federais mais de uma semana antes de sua morte.
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B.Ha--SG